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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Irmãos Castanhalenses - A Saga

Classificação: 16.
Conheço um novo irmão.

Como todo inicio de ano letivo, eu ia à escola nova para uma chamada inicial. E na escola CAIC não foi diferente. Era meu primeiro ano nela e fui no primeiro dia de aula, para não ter o incomodo de ir no dia seguinte, na diretoria, perguntar onde era minha sala. Mas até aí tudo bem, era rotina mesmo.

A chamada foi na parte externa da escola. O local mais parecia uma garagem de subsolo de um prédio. Primeiro você descia uma ladeira levemente íngreme, ladeada de ambos os lados por um corrimão de ferro. No final tinha uma grade de proteção no chão (toda vez que descia essa porra de ladeira, imaginava que um dia a roda dianteira de minha bicicleta ia engatar e que eu ia rachar minha cara no chão). Depois topava com um pátio circular em forma de gota. E na ponta da gota ficava o portão da escola, o qual estava fechado. Outro fato que chamava a atenção foi que estava um pouco escuro. Acho que a lâmpada do posta estava queimada. Ou foi deliberadamente desligada para não mostrar o lado ruim da escola logo de cara para os novatos (a escola CAIC fica no subúrbio de Castanhal, e como a maioria das escolas públicas, não só as de Castanhal, estava em um estado merda eterno). Acho q a segunda opção é bem mais aceitável.

Eu portava com um grosso caderno de 20 matérias em meu braço direito, o qual talvez durasse o ano todo. E havia muitas pessoas no local. Não consigo me recordar de ninguém importante, além do gigante atrás de mim.

Na minha cabeça (e onde mais seria, Nodes, no seu cu? [risos de cientista louco]) eu pensei: "puta merda: tô no Bairro do Morrinho, lugar cheio de gangues e malucos maconheiros, cercado de desconhecido, e, porra!, do meu lado um brutamontes desse. Tô ferrado".

Ouvi o gigante se mover em minha direção. Mas não corri...

- Que horas são, Meu Camarada? - disse o gigante. E "puta merda", eu pensei, ainda é da máfia russa (camarada é uma forma que os militares do exército russo se tratam, salvo melhor juízo).

Lembro de não conseguir achar o braço em que estava o relógio. Olhei para um braço e depois para o outro. E ainda no escuro, eu não via as horas corretamente. Mas forcei até conseguir ver, e respondi:

- 19 horas e 30 minutos - conseguir dizer finalmente, antes que o gigante me atingisse com um safanão e me esmagasse.

- Valeu - respondeu sem me matar. E, não sei dizer como, mas nesse momento percebi que ele era um gigante gentil e que poderíamos ser amigos num futuro próximo, caso não me devorasse, claro ("devorar"... sobre essa questão de devorar, não deixem eu esquecer de comentar como meu amigo gigante come. Cara, ele come como um gigante mesmo).

Pra finalizar o relato, a chamada de apresentação da escola foi realizada como de costume, onde também nos indicaram as salas, ou seja tudo ocorreu dentro do que já era esperado. A única diferença brutal das demais vezes, foi que nesse ano eu ganhei um irmão para vida toda (e também namorei pra caralho).



Dona Maria.

Não lembro bem quando fui apresentado à Dona Maria, Mãe de Maicon, mas com toda certeza quem me apresentou a ela foi o próprio Maic. Lembro que era um dia comum, como qualquer outro, como também recordo da gentileza com que ela me tratou e me trata até hoje. Uma senhora humilde numa casa humilde, mas com um grau de gentileza que me fez voltar varias vezes até aquele local. Mas não só pela gentileza, e sim também pelo vinculo de amizade que se formou entre Maic e eu.

Dona Maria era uma senhora muito séria e de temperamento forte. O tipo de mulher com quem você não gostaria de começar uma briga, pois tenho certeza que sairia perdendo.






Falar da Dona Maria é muito fácil.

Filmes até cair de sono.

Vamos ali na casa de uma amigo -descida no escuro.

As amigas da escola.

A doida da praça.

O roubo da bicicleta.

O gigante comilão.

Intolerância a lactose.


 
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