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domingo, 9 de setembro de 2018

Deus e Deuses


E o espírito Deus vagava sobre
a face do abismo
Ele era o verbo e o verbo estava com ele



Depois de criar todas as coisas, o espírito de Deus descansou, sentou-se acima dos céus e contemplou a beleza de sua criação. Era tudo maravilhoso. E perfeito. Tudo estava como ele havia planejado.

Mas o seu oposto, o seu negativo, o outro ser que havia sido gerado no momento da criação do universo, não achava isso. Pois estava entediado. Havia assistido todo o espetáculo da criação, e não havia feito nada. Sua participação foi zero. Ele apenas existia, e era a sua função naquela situação. Existir.

Antes de tudo, antes da criação do universo como o conhecemos hoje, não existia nada, apenas o caos reinava. O qual era tudo, mas de uma forma que era impossível distinguir o quê era o quê, até que Deus colocou ordem e criou o universo. Mas para isso ele precisa de um fio negativo, assim como uma lâmpada necessita de um para que a luz se acenda. Este era o seu oposto, o oposto de deus. O seu fio negativo. Essa era sua função: existir.

No entanto ele não estava gostando muito de sua atribuição. E teve uma brilhante ideia: iria destruir o que Deus tinha feito e iria recriá-la à sua maneira. E foi conversar com ele.

Deus ainda estava sobre os céus, olhando maravilhado o que havia criado lá embaixo.

- Senhor, acho que ficou muito bom.

- Também acho isso – Disse deus orgulhoso. Mas não moveu seus olhos da criação. Haviam milhares detalhes a serem vistos, uma mais lindo que o outro. E quanto menor, mas belo. E ele os olharia um a um.

Seu oposto se aproximou da borda onde Deus estava e olhou. Era tanta coisa que levaria uma eternidade só para ver o que estava na terra. Mas algo lhe chamou a atenção e ele viu que Deus, com um sorriso maroto no rosto, estava olhando para a mesma coisa.

- O que é aquilo? - questionou. E apontando para uma criatura em pé sobre duas patas. Parecia muito com um macaco, mas sem pelo e ereto. - Já tem nome?

- Sim. Chame-o de homem - disse todo orgulhoso.

- Hummm – ronronou seu oposto, confirmando que havia entendido. - Para que ele serve?

- Como assim?

- Sei lá. Tipo, todas as coisas, pelo que vejo, tem a sua utilidade. A exemplo disso, posso falar da água. Ela esfria a temperatura da terra e gera vida. É a essência, assim como vossa senhoria. Mas o homem. Apenas está ali parado olhando. Pensando? Ele é capaz de pensar, assim como nós?

- Sim. - Disse Deus sorrindo. E dessa vez olhou seu oposto nos olhos. - Ele é a nossa imagem e semelhança.

- Nossa! Como o senhor e ousado e sapiente! Ninguém seria capaz de fazer tamanha criação e com tanta perfeição – disse com ironia disfarçada de verdade.

- Obrigado.

- Achas que ele é capaz de distinguir o bem do mal, e se é capaz de se esquivar da maldade, não se corrompendo?

- Com toda certeza – disse Deus prontamente, falando com propriedade, pois era o criador da sua criatura, e o conhecia perfeitamente. Em detalhes.

- Achas mesmo que ele o ama e o respeita, assim como nós o fazemos, senhor?– disse seu oposto, falando na terceira pessoa, dessa forma não puxando pra si tal atribuição.

- Sim – disse impassível ao que o outro tentava lhe impor uma, possível, falha.

- Mas e se ele, assim como nós, com livre arbítrio, que suponho que o senhor lhe deu, escolher não lhe amar mais e levantar blasfêmia contra vossa senhoria? Seria terrível, não achas?

Deus não respondeu. Apenas continuou a olhar o mundo lá embaixo. Mas tal questão afrigiu seu coração. Ele achou que seu oposto tinha certa razão, com o livre arbítrio ele poderia fazer o que bem quisesse, inclusive adorar outra coisa, e não adorá-lo e até criar para si um deus de madeira ou barro, ou de qualquer outra coisa, para servi-los, como se fossem de verdade. Como se fossem o Deus criar do céu e da terra.

- Acha mesmo que tal loucura é possível? Que ele um dia não me aceite mais como seu criador? Que...

- Não foi o que eu disse.

- Mas foi o que pensou – disse encarando seu oposto, estudando seu rosto, tentando adivinhar sua resposta. E estava estampada a resposta na face daquele. - Sim – respondeu Deus antes mesmo do outro falar alguma coisa. E não falaria. Ele sabia que Deus sabia a resposta. E que fisgaria a primeira isca.

- Mas pode ser que não, também – disse, inserido lentamente a primeira parte do veneno que tinha planejado. - Entretanto podemos…

- O quê?

Seu oposto parecia pensar se diria ou não o que estava em sua cabeça. E deus se levantou de onde estava e foi até ele, ficou de frente com o outro.

- Diga logo – Deus estava impaciente. E por estarem falando de sua perfeita criação, ele não foi capaz de captar a maldade por trás das palavras de seu oposto. E estava sendo induzido ao erro, suavemente.

- Ok. Podemos Testá-lo – disse após uma longa pausa dramática. E fez outra pausa. E depois de uns segundos, continuou - Isso se o senhor assim o desejar.

E foi dessa forma, com muita malícia, que o Segundo deus responsável pela criação, mesmo que apenas com inércia, iniciou a derroca de tudo que Deus havia criado. Ele iria destruir o universo. Mas se não fosse capaz disso, destruiria o homem, a criação preferida de Deus (seu oposto), a que mais se orgulhava.


O livro do Apocalipse


Sobre o fim, como o mundo chegou ao seu final, poderiam ter sido escritos inúmeros livros a respeito. Mas não foram. E nem serão. Pois não houve tempo suficiente para isso, ou mesmo quem os escrevesse após a catástrofe.  Mas o que se apresenta a seguir foi o que veio depois, o que sobrou do mundo como o conhecíamos antes.

Uma bosta.

No entanto se sabe, de alguma forma, que quem detonou o mundo foi nós mesmo, os humanos. E fizemos isso quase que sem querer, querendo, quando usávamos carro com combustível fóssil mesmo sabendo que ele eram nocivos ao meio ambiente em que vivíamos; quando usávamos energia nuclear e a gastávamos como se tivesse vindo do além, num passe de mágica trazido pela fada azul, e não furtado da natureza; quando jogávamos lixo nos rios e nas ruas e culpávamos o poder público por não os limpar; quando deixamos de amar o próximo como a nós mesmos, como ditava a bíblia cristã, agora perdida nos anais da história; e quando enchemos o mundo de leis e obrigações, e nenhum dever. Este último sendo o pior de todos, pois foi ele quem deu poder às pessoas erradas para isso, nossos algozes finais: os políticos.

Aí foi onde realmente erramos, na política, na escolha de nossos representantes no poder. Não que um simples voto em uma pessoa específica fosse realmente mudar o mundo, porque não iria. Pois os partidos, que eram os principais venenos da política naquela época, e não as pessoas votadas, estavam corrompidos e sujos na lama de seus criadores, contaminando cada recém chegado assim que chegavam. E quando assumiam o poder, ao invés de fazerem o certo, que seria eliminar os podres e prezar pelo  correto, apenas fechavam os olhos e mamavam na mesma teta da leitoa imunda, assim como tinham feito seus antecessores, enchendo o bucho com a desgraça do povo e das demais coisas controladas pela política - tudo.

No final, quando alguém pensou no que tais atitudes de seus representantes estavam causando ao mundo, já era muito tarde e não havia mais o que fazer. O mundo estava fodido mesmo. Ponto final. O que vem a seguir poderia ter sido evitado se não fôssemos tão burros e egoístas, se não tivesse o defeito de olhar apenas para o nosso próprio rabo. E mesmo este mundo pode estar condenado. Ou não. Isso vai depender outra vez de nós - é o fim mesmo.




sábado, 25 de agosto de 2018

Meu grande amigo JAMES SANDMAN


Parte I

Quando James Sandman entrou na sala, pesadas portas de madeira rangeram alto, como se um grande caixão de madeira estivesse sendo arrastado num misto com um ruído semelhante ao ronco da barriga de um gigante, chamando a atenção de quem estava lá dentro. Ele foi tão encarado pelos presentes ali que teria incomodado outra pessoa, mas não a ele, pois não se importava mais com este tipo de coisa.

O Rei que estava sentado no final da sala, em um grande trono de ouro puro, o olhou e depois olhou para o assento ao seu lado, indicando onde ele deveria sentar. O gesto, na verdade, era mais pra mostrar aos presentes quem era o homem que acabara de entrar, e não para Sandman, já que este sabia muito bem seu lugar, uma vez que ele era a Mão do Rei.

James Sandman era alto e negro, e apesar de não lhe ser permitido pelas regras sociais daquela época, vestia belíssimo manto real, com joias e cores destinadas apenas à realeza, e a ninguém mais. Em seu peito, ostentava um cordão de ouro, onde um pingente em forma de um punho fechado, indicando a autoridade investida a ele pelo próprio rei, estava pendurado.

Seguido por olhares aversos à sua presença, ele entrou na sala de queixo erguido, e como havia sido indicado pelo rei, sentou-se ao lado esquerdo dele.

Apesar não gostarem da presença de Sandman, a reunião transcorreu normalmente até o seu final. Porém quando todos saíram, o Senhor da Região dos Rios Nervosos pediu para falar com o rei em particular. O rei aceitou prontamente.

O senhor dos rios parecia estar aborrecido com alguma coisa. 

(NodesBR. 2017.12)


Parte II 
(esse conteúdo está sendo criado agora mesmo... 24.08.2018)

O rei sentou-se numa cadeira grandiosa e atrás de uma mesa maravilhosa. Era feita de madeira de lei e muito bem trabalhada em detalhes espetaculares. O senhor dos Rios ficou olhando-a por uns segundos, quase não conseguiu sair do transe imposto pela beleza da mesa.

- Muito bela mesmo. Por isso eu a comprei, quando a vi, comprei-a na mesma hora. - Disse o Rei, acordando o Senhor dos Rios.


- Verdade, Senhor Rei. Maravilhosa! - Disse e estacou de novo. 
- Em que eu posso ajudá-lo, caro amigo?


- Majestade... Bem... Sou filho de uma de seus maiores amigos e aliados. Meu pai lhe serviu a seu pai por toda a vida. E eu assumi essa missão com muita honra... - Disse e estacou outra vez.


O rei o olhava, aguardando a continuação.


- Por favor, Meu Rei, não me entenda mal... Como o Sr. Sabe e é obvio para quem entrasse na sala onde estávamos... Somo lordes da região Norte, nascidos e criados neste lugar... E..

Porra, homem estava dando a volta ao mundo para dizer algo que estava levando um mundo de tempo. E talvez nem fosse tão grave assim, uma vez que se fosse realmente grave, de verdade, ele já teria falado de uma vez só.

O rei ergueu a mão, e sem batê-la na mesa, a pôs na mesa calmamente, dando a entender que ele devia parar um momento, pensar e dizer o que tinha de dizer.

- Diga de uma vez, pelo amor de deus. Somos amigos, e o que disse não saira desa sala, nem servira contra você em momento algum, posso lhe garantir. - Disse tentado acalmar a tensão aparente no Sr. dos Rios, para que ele terminasse o que tinha iniciado a falar e que não saia de forma alguma. Algo o impedia.

Sr dos Rios baixou a cabeça e ficou encarando as mãos, como uma criança prestes a revelar para sua a grande merda que fez na maquiagem dela. E continuou.

- Sim, senhor. - Disse de forma assertiva, mas demorou outros segundos até continuar, levando em consideração o que o rei tinha dito a ele, sobre estar em um lugar seguro para dizer o que estava pensando. Mas sentia que poderia, causar um desconforto entre ele, mesmo assim continuou. - Não sei é correto um homem de cor...


Ergueu a cabeça e fitou o rei por uns segundos. Tentando notar como o rei havia reagido à termo "homem de cor". O rei estava impassível. Uma estatua imóvel.


- E usando roupas inadequadas e símbolos fora do padrão. - Disse esperando uma explosão do rei. Algo como um grito alto e um grande soco na mesa, que ressoaria por toda a sala, seguido de um "não se meta em coisas que não são da sua conta, seu bosta. Quem você pensa que você é?". Mas o que veio a seguir foi inesperado, de certa forma, mas correta ao modo do rei, uma vez que ele é um homem calmo e de sangue frio, raramente uma coisa o aborrece a esse ponto.





A
Nas palavras do príncipe...

- Eu já o conhecia muito tempo, mas só o reencontrei depois de muitos anos, quando nós dois já éramos adultos. Eu estava na minha primeira empreitada sozinho, sem meu pai para dizer o que devia ser feito, como comandante de um pelotão. E diferente dele e de outros oficiais, toda noite eu sentava à fogueira com meu soldados e conversa com eles, tentando sentir como eles estavam e saber o que estava acontecendo no campo de batalha que eu não conseguia ver. Eu ainda faço isso quando posso. Não lembro quando foi exatamente o momento, em qual noite, mas lembro de notar a presença de homem do lado de fora do circulo de soldados me observando falar. Logo notei que se tratava de um escudeiro ou cavalariço. Continue a falar com os homens até achar que era suficiente e quando olhei novamente o homem havia se retirado. Levantei e fui atrás dele. Não demorei muito a encontrá-lo. Estava deitado ao lado de uma tenda, no chão. Ainda estava acordado e olhava o seu.

- O que faz aqui fora, meu amigo? Disse puxando conversa.

O homem deu salto e ficou de é em um segundo. Logo fez referência e permaneceu de cabeça baixa. Era algo típico de escravos ou servos de baixa estirpe. Eu pedi que ele me olhasse nos olhos, pois é assim que conheço as intenções de um homem, de cabeça baixa todos podem ocultar o que deseja fazer, mas os olhos nunca mentem.

- Eu não tenho permissão de dormir dentro da tenda. - Disse ele, e continuou - Tenho permissão apenas de dormir perto da tenda, onde é mais quente, pois exala calor que vem de dentro.

- Quem é seu mestre?

- Mestre? - Questionou sem entender se o rei entendia o que ele era - Dono o Sr. quis dizer? - O rei confirmou com o meneio de cabeça - É o Sr. da montanha do sul.

- E por que não pode dormir lá dentro, uma vez que és quem o arma pela manhã e o atende o dia todo, durante as batalhas?
- Ele diz que sou negro e que posso sujar enxoval de cama.


- Entendo. Não tenho problema com isso, se quiseres, pode dormir na minha tenda. Lá está bem quente.

- Não ousaria fazer isso, senhor. Meu amo me mataria se não me encontrasse aqui deitado pela manhã.

- E aonde ele está agora, sabe me dizer?
- Suponho que na tenda, meu lorde.

O príncipe olhou atrás dele e apontou, fazendo uma pergunta com a cabeça.
- Sim.

- Espere aqui... - Disse sem saber falar o nome do homem a quem se dirigia - Como se chama mesmo?

- James, sr., James.
- Espere aqui, James. Já volto.
A tenda estava aberta, e como príncipe, não precisou pedir permissão para entrar. Um soldado estava à porta, com um longa espada na mão. Ao ver o príncipe abaixou-a e se curvou.


- Senhor.

- Preciso de seu cavalariço esta noite, Laurêncio. - Disse se dirigindo ao Sr. da montanha do sul. O homem estava deitado numa cama toda coberta com pele de animais. Ao seu lado estava muita comida e seus oficiais puxa-sacos, uma meia duzias deles.

Ele não se levantou
, ao contrário de todos os presente, não achava correto um moleque daquele ser o líder só porque era um príncipe e nunca havia comandado nada. Apenas falou.

- Quem, senhor, James, o Lerdo, que está ao lado da tenda? - Disse dando um sorrisinho zombeteiro. - É o pior tipo de gente que o sr. vai querer ter por perto. Ele não faz nada se não for ordenado, e mesmo assim só faz merda. Recomendo que leve Aryon - Disse apontando um cavalariço branco e magrelo que estava a seus pés. - Esse sim é um ótimo...

- Não vim pedir sua opinião, apenas estou lhe informando que James ficará comigo daqui pra frente. Ah, e não precisa se levantar, não dessa vez, pois já me faltou com o respeito mesmo, mas da próxima vez, faça o que lhe é devido. Obrigação. - Disse e se retirou daquele lugar que fedia a gordura e riqueza, era como ter um monte de rico comendo carne de porco, se lambuzando e se limpando com dinheiro. O príncipe não gostou do que viu ali.

Ao passar pela entrada da tenda, passou por James.
- Venha comigo. Deixem que se lambuzem na riqueza. Você não mais passará frio outra vez.

Nunca mais James voltou ou teve que se explicar ao sr. da montanha do sul.




(Contando a parte importante, o restou foi xaropada para chegar até aqui)


Para que você entenda de verdade o que estou tentando lhe dizer, vou contar a principal divida que tenho com esse homem. Na última batalha que ele e eu estivemos juntos, eu fiquei muito ferido, mesmo ele tenho me ajudado, inclusive se ferido para salvar minha vida outra vez. E voltei para casa ainda inconsciente, me disseram depois, e muito fraco, moribundo. Disseram ao meu pai, o Rei Leon, que ainda estava vivo naquela época, que eu não viveria por muito tempo. Meu corpo e minha mente já não tinham mais força e não aguentariam por muito tempo. Eu estava fadado a morte.

Meu pai chamou o maior mago daquela época, ele passou 24 horas trancado comigo no quarto tentando entender e salvar minha vida. Mas ele disse o mesmo que os medicistas daquela época, eu morreria logo. Não havia nada que ele pudesse fazer. Mas meu amigo James Sandaman veio ao quarto assim que o mago disse que poderiam entrar, acho até que ele passou a noite toda à porta esperando pra me ver. E conversou com o mago, lhe perguntou o que estava acontecendo comigo, e principalmente, se havia algo que pudesse ser feito por mim. O mago repetiu o que havia dito ao meu pai. Não havia nada que pudesse ser feito. Meu amigo repetiu a pergunta, não que não tivesse ouvido, mas queria ter certeza do que ele havia dito. O mago dessa vez disse algo diferente. Mas trancou a porta antes.

- Tem uma coisa... Mas... - E ficou olhando meu amigo.

- O quê?

- Só há uma coisa que pode ser feita, e mesmo assim acho que não será capaz de salvar o príncipe.

- O quê?

- Seu amigo está vivo, ainda. Mas sua alma vaga no mundo dos mortos. Na entrada do inferno. Ele aguarda a chegada do final da vida de seu corpo. E as criaturas que ele morto, esperam ansiosas no portal do inferno. - Era obvio que o príncipe iria para o inferno, isso não surpreendeu Sandman, afinal de contas, assim como ele, ele era um guerreiro e haviam matado muitas pessoas. 

- O que devo fazer para salvar meu amigo.


- Ir ao inferno buscá-lo. Só isso. Mas acho que ninguém é capaz de fazer isso, não de ir ao inferno e voltar vivo e ainda trazendo outra pessoa consigo. Impossível.

- Quero tentar.

- Seu louco. Você vai morrer junto com ele. Ele já morreu, como pode ver.

- Deixe-me tentar por favor.

O mago balançava a cabeça negando o pedido. E falo por vários minutos o quanto seria perigoso. Por fim, sentou e encarou outra vez nosso herói. Bateu as mãos nas duas pernas e disse.

- Tudo bem. Vou dizer o que você precisa fazer para tentar salvar o príncipe e se matar tentado, seu maluco.

Sandman Sorriu e meneou a cabeça de forma afirmativa.

- Continue. - Disse saboreando o gosto da vitória.


Parte III

O que deve ser feito.
Nas palavra do Mago Merlin:


Vou induzir sua morte por algumas hora, mais que isso é muito perigoso e impossível de corrigir. Você terá tempo suficiente para tentar o que tem que fazer.

Assim que morrer, vai surgir em Hell na região dos quase mortos, dos que aguardam seu corpo moribundo falecer. Nesse lugar, vai haver uma multidão de gente morta. Aí você deve procurar o príncipe de forma visual, não o chame pelo nome. Ele vai estar vagando cego na escuridão do inferno. E não será capaz de reconhecer seu nome. Não naquele lugar de dor e sofrimento.

Quando nascer deve seguir a esquerda e pra o centro. Lá haverá uma grande criatura chamada Cérbero. Ele é uma das cabeças do cão que guardam o inferno. Não toque, e se ele passar por você, ou suspeitar de suas intenções ali, ele o devorará, mesmo ainda não estando morto, você deverá correr na direção de onde veio, e gritar muito o seguinte nome: Morte. Repita-o o máximo que for possível. Grite o mais alto que puder.
Mas antes disso, não diga uma palavra. Afinal de contas mortos ou semi mortos, de verdade, não falam. E se algum dos guardiões suspeitar de alguma coisa, será o fim.

(Como voltei pra cá, para o mundo real - Perguntou Sandman)

Eu já ia chegar nessa parte, homem.
Vou dar-lhe uma vela de Sã Sebastião. Ela é capaz de iluminar o caminho dos mortos quando é acesa, mas não sobrou muito delas, e eu tenho apenas um pequeno pedaço, quase inútil. Mas servirá se você usar somente na volta pra casa. Não a ascenda ante, ou ficará perdido para sempre no mundo dos mortos. E ficará lá sem ter como voltar. Pois você é o único louco que conheço que quer fazer essa viagem.


A vela funcionada da seguinte forma. Quando for acesa lá, que na verdade ela será apenas um reflexo dela neste mundo, ela se ascenderá neste mundo. Bastando somente você seguir o brilho dela no escuro para chegar a este mundo.

Dizendo dessa forma, Sandman, parece até fácil, mas não é. Os poucos que tiveram a coragem de olhar o mundo dos mortos, principalmente nesta parte em que lhe falei, enlouqueceram ou morreram assim que acordaram do transe induzido. Então não temos tantos detalhes de como será sua busca naquele lugar e o que você encontrará pela frente.
















sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Eu, por mim mesmo.

Não deduzam que minha indiferença é raiva; Só não me importo mais com nada - nada mesmo (foda-se o mundo). Pois depois de um tempo, e de bater a cabeça com tudo, até com pequenos detalhes da vida (pessoas importantes se mostraram uns grandes bostas), perdi a paciência. Agora deixo o rio correr como ele quiser, que é o certo. Pelo menos é o que eu acho. Mas ainda me fazem, quase, tentar me intrometer. Isso não vai mais acontecer.
terça-feira, 17 de julho de 2018

A GARRAFA NA PRAIA



Uma breve introdução.

A história veio num passe de magica, enquanto eu lia o romance Revival, de Stephen King. E não pude contê-lo de forma alguma em minha cabeça. Fui completamente dominado. Nem consegui continuar a ler. Parei, coloquei o livro de lado - com muito cuidado, é claro - e escrevi o conto que você verá a seguir.

Espero que goste, ao menos um pouco. Ou não. Não me importo com isso. Mas o que importa realmente é que eu me diverti para cacete escrevendo-o.


***


Foi meio que sem querer que, quando resolvi fazer uma caminhada na beira da praia e pisar em um pouco na areia quente, num domingo de folga, encontrei a porra da garrafa e nela estava escrito “Para você, meu amor, Rivaldo”.

Que? Como, em nome de todos os santos, essa droga de garrafa veio parar justamente na praia onde eu estava. Se ela jogou em alto-mar. Talvez muito longe de onde eu estava, como veio parar aqui? O destino? O acaso. Ou um dos mistérios insolucionáveis do universo? Bom, eu não sei dizer. Só sei que veio até mim no dia e na hora certa. Mesmo assim continuaria um mistério para o resto de minha vida.

Eu não podia acreditar. Essa pessoa já não fazia parte de minha vida a muitos anos. Sequer ouvi falar nela, a não ser, irregularmente, em meus sonhos, aqui e ali, como um pesadelo que se repete, eu a via. Foi como estar dormindo acordado e desperta ainda em pé, após levar um baita choque. Pow. Mas de certa forma, eu fiquei feliz com isso. Ou não.

Logo saberia.

O bilhete estava endereçado a mim, mas.. como... eu estava parado na praia fitando um garrafa com um papel dentro. Eu precisava tirá-lo dali imediatamente, mas algo me conteve. Medo? Talvez. Mas acho que foi outra coisa. Talvez algum tipo de nostalgia. Do tipo que nos deixa catatônico. Sabe como é, né? Eu estava congelado. Respirei fundo e tentei tirar, mas era complicado. Demorei um pouco, mas depois de algumas tentativas infrutíferas, e de meu dedo quase ficar preso na boca da garrafa, eu consegui.

Ufa!

Não o li de cara. Não. Eu precisava estar num lugar familiar, minha casa, e num lugar tranquilo para ler, minha casa de novo.

Guardei no bolso e fui para casa, finalmente.



O que estaria escrito lá, talvez pudesse mudar minha vida. Bom, meu amigo, talvez não, eu já era um homem crescido a muito tempo, já tinha feito minhas escolhas (as boas e as ruins também) – então, não. Mas talvez pudesse mudar minha forma de pensar no passado, onde achei que havia errado feio com ela.

Ou não.

Assim que lesse essa porra de bilhete que tanto me torturava, eu veria. Né?




Entrei apressado como um homem com caganeira das brabas (-Mas ele vai demorar, moça? - perguntou o homem ao telefone. -Acho que não, senhor, ele já entrou peidando.¹) que carrega um bomba muito sensível. Do tipo que faz o cara correr uma ligeira marcha atlética. Tentei abrir a porta o mais rápido que pude. Mas antes deixei a droga da chave cair. Pisei em cima dela. Tentei Tirar o pé de cima, peguei a chave e acabei pisando nos dedos da mão. Que merda, que merda! - pensei. Que homem pisa na própria mão? Eu, né? Claro. Ou um homem muito apaixonado. Ou talvez um bobo tentando fazer uma gracinha. Mas eu não era nenhum do dois. Só estava apavorado. Mas ainda não conseguia saber o motivo disso.

Sentei na cadeira carcomida próxima à janela da frente, que gemeu quando coloquei meu traseiro nela. E antes de pegar a carta no bolso de trás da calça jeans, tive que abrir a janela, eu precisava de vento. Pois estava respirava com certa dificuldade. E o peito ainda pulsava irregular.

Eu precisava estar num lugar familiar, minha casa, e num lugar tranquilo para ler, minha casa de novo.

Procurei o danado bilhete no bolso onde havia colocado e quase não o encontrei, era apenas um pedacinho de papel sujo. Tive que procurar em todos os bolsos e, só depois que voltei ao bolso onde jurava que estaria, é que pude encontrá-lo. Eu estava parecendo um drogado na fissura.

Peguei o bilhete finalmente, já meio puto, e o encarei por alguns segundos(por que se escondeu, seu pestinha?). Ele começava da seguinte forma:

Ola, meu amor.
Saudades.

E seguiu a mesma linha:

Faz muito tempo que não nos vemos. Espero que ainda lembre de mim. Espero que ainda sinta alguma coisa por mim. A mínima que seja. Pois tenho uma coisa maravilhosa para te contar. E mesmo que não sinta mais nada, eu gostaria de dizer. Bom, como o papel é muito pequeno, serei sucinta. Peço apenas que continue lendo, por favor, meu amor, meu único e verdadeiro amor.

Eu tremia. Tais palavras, amor, único e verdadeiro, nunca estiveram numa mesma sentença quando ela se referia a mim. Não dessa forma. Que porra aconteceu mesmo?

Percebi que havia uma forma de gota bem no meio do papel, eu podia jurar que tinha sido de uma lágrima. Ela poderia muito bem estar chorando quando escreveu tais palavras. Ou poderia ser apenas água. Mas não eram, não. Eu tinha certeza disso.

Senti meu coração acelerar como um carro velho que só pega no tranco. Mas dessa vez ele pegou, e eu pude sentir o tum, tum, tum dentro do meu velho peito, de tal forma que fez minha camisa pulsar acompanhando as batidas.

Eu te amo. Sempre te amei. Nunca, jamais, duvide disso. Mas a vida nos quis em mundos diferentes. Admito que posso ser a culpada. Mas isso não importa agora. Não mais.
Peço seu perdão. E gostaria de dizer algo que talvez seja o curativo para a ferida que sei que causei em seu coraçãozinho (me arrependo amargamente disso, tá?): se tivesse continuado ao seu lado, seria como estar no paraíso; se tivesse continuado ao seu lado, tudo seria diferente e perfeito, tanto para mim como para você, pois sei que me amava. Talvez hoje não.
Mas isso não importa agora. Não mais.
O navio onde estou sofreu um grave acidente, bateu em alguma coisa grande. E nesse momento o navio está naufragando em pleno oceano (Titanic? Nãão). Eu sei que vou morrer. E por isso tomei coragem de dizer essas palavras. Palavras verdadeiras e do fundo do meu coração.
Cara, eu te amo muito.
Adeus.
Da pessoa que vai te amar para sempre,
Ruanda.



Quando terminei de ler, primeiro deixei minha mão cair lentamente no sobre minha coxa esquerda e, depois, chorei. Chorei muito. Copiosamente. Como um bebê que está sem a mãe e precisa mamar.

Aquilo me fez lembrar de coisas que jurei nunca mais rememorar. De coisas que eu odiava e que me faziam sofrer como uma ferida aberta que sangra. Mas que, de alguma forma, em algum lugar sombrio e medonho, essa porra ainda estava dentro de mim. Como um catarro que você escarra e cospe, mas que, se ficar algum resquício, por menor que seja, ele volta da mesma forma. Acho que foi assim que tudo voltou a minha mente. Bastava apenas uma pequena tossida, e a carta foi essa tossida.

Depois de tudo e tanto tempo offline desse amor sofrido e cruel, eu pude dizer a mim mesmo que ainda a amava e que ainda a queria. Talvez fosse apenas dó de saber que ela tinha morrido de forma tao cruel. Afogada. Ou talvez fosse apenas a fagulha que faltava para reacender tudo.

Funcionou.
Mas isso não importa mais. Não mais.

Finalmente, eu a tinha bem perto de mim, no meu coração. Mas isso não importa mais. Não mais.

- Cara, eu também te amo também – disse meu coração chorando por ela.


***

Quando acordei, me debatendo na cama como um homem se afogando, meu coração estava tão agitado que parecia ter planejado a fuga pela minha goela. Minha boca estava seca, sem um pingo de saliva, e eu estava lavado de suor. O pesadelo tinha sido muito real. E não conseguia saber se realmente estava acordado. Ou se ainda estava dormindo, sonhando um sonho dentro de outro sonho. Muitas vezes isso tinha acontecido, mas nunca dessa forma. Com tanto realismo. Coloquei a mão no peito, dizendo ao meu coração “calma, garoto. Tudo já acabou”. Mas ainda me restava saber o que tinha sido aquilo. Um premonição? Ela estava viva e morreria num naufrágio? Nunca saberia a resposta. E qualquer coisa que imaginasse naquele momento ou num futuro próximo, seria mera suposição. E com o tempo, até mesmo esse sonho intruso e escroto foi esquecido. E, graças ao meu bom e amado Deus, jaz no lugar de onde veio.


 
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