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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma noite fatídica - o amigo fantasma

Não lembro de onde eu e meu amigo Raimundo estávamos vindo em nossas bikes juvenis, acho que era da escola, mas lembro muito bem de ter avistado uma ex-namorada e uma amiga dela. O que seria uma oportunidade imperdível para apresentar uma gata ao meu amigo lobo solitário. Dessa forma eu disse a ele:

- Cara, tem umas gatas ali, - apontei a direção onde elas estavam. - E eu as conheço - olhei para ele, nesse momento não parecia assustado. - Fica aqui que vou até elas. Quando eu tiver feito os papos, te chamo. Ok?

Ele pareceu entender perfeitamente e assentiu com a cabeça meneando positivamente.

Eu me apressei, pois elas estavam andando muito rápido. As alcancei na esquina da segunda rua depois de nós. Minha bike era muito boa naquela época e eu sempre a deixa nos trinques. Conversei com elas por um tempo, a amiga da minha ex era uma gatinha, Raimundo ia se dar bem nessa,  fazendo o caminho para apresentar meu amigo. E, quando surgiu a oportunidade, precipitei a pedido:

- Tenho um amigo que gostaria muito de apresentar a vocês, ele é um cara legal que sempre anda comigo - elogiei meu amigo sem ser muito obvio.

Elas não pensaram duas vezes:
- Bom... Se é seu amigo, claro que pode sim. Onde ele está?

Onde ele está??? Esta pergunta me atormenta até hoje. Onde ele está, ou estava? Olhei para trás onde o havia deixado. E nada. Tinha sumido como um fantasma. Pufft!!! Dessa forma, com meu amigo fantasma sumido, eu tentei enrolar dizendo que ele estava vindo e que logo viria até nós. Fiquei ali vários minutos puxando conversa fiada (blá, blá, etc e tal) na esperança dele ressurgir, mas isso não aconteceu.

Depois de um bom tempo, já esgotando a minha e a paciência das meninas, elas disseram:

- Bom, já está ficando tarde e temos que ir - de certa forma era verdade mesmo. - Nossas mães estão nos esperando, prometemos que voltaríamos logo.

Compreendi a lógica imposta, e sabendo que meu amigo não ressurgiria das cinzas como a fênix, acabei confirmando e me despedi.

- Que pena que meu amigo sumiu, né? Seria uma coisa bacana, iriam gostar dele. - em minha cabeça de adolescente, imaginei cada um de nós agarrado a uma delas aos beijos num local ermo e, quem sabe, até fazendo amor. - Mas deixa pra outra oportunidade, ele deve ter se perdido.

- Tchau! - elas disseram.
- Tchau! - respondi.

Mas ainda restava uma duvida: cadê meu amigo sumido? Teria sido abduzido? Sequestrado por terroristas? Teria desmaiado e levado para o hospital onde seria invadido nas partes baixas. Ah, meu deus do céu!!! Eu temi por aquilo. Como iria explicar isso a dona Maria? Ou mesmo como iria dizer que o Raimundo sumiu no mundo quando andava comigo, mas nada me havia acontecido?

Desci a rua, olhando cada esquina na esperança de vê-lo ainda com vida (não poderia estar morto, nananinanão). E por, mais incrível que me pareceu na época, o peste estava em um armarinho escolhendo um caderno novo para comprar. Eu fiquei olhando ele por um minuto, tava de costa fitando um caderno em especial, ou ele queria que me parecesse isso, e me aproximei:

- Que, que você tá fazendo, cara? - questionei indignado - Fiquei te esperando enrolando as meninas e nada de você aparecer.

Fazendo cara de cachorro abandonado e com frio, respondeu:
- Preciso comprar um caderno novo. - Não parecia ter certeza de sua própria resposta.

- Mas esse seu caderno ai debaixo do braço é novinho em folha. Pra raios você quer um novo? - ele devia tá de sacanagem comigo. Só poderia ser.

- Este tem poucas matérias. - não me encarava, olhava o caderno tentando se convencer de que realmente precisava dele. - Logo acabará.

O caderno dele tinha umas 100 matérias, nunca ele precisaria de outro. Mas, por algum motivo que não recordo agora, eu o compreendi, e para mim as respostas tinham sido válidas naquele momento. Uma coisa que ele não sabia e nunca soube é que eu era igual a ele, tímido demais, mas nesse ano em particular tudo tinha mudado pra mim. Mas sempre fomos bons amigos. Tenho certeza que fomos irmãos ou algo assim em outra vida (isso se esse tal carma, reincarnação e tal realmente existir) - só poderia ser. Não tem outra explicação. E minha zanga logo passou. Mas ele iria me pagar por ter me feito esperar e por ter deixado eu fazer papel de bobo para as meninas.


A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.

A vingança é um prato que se come frio.

Mas ele sendo meu amigo, a vingança seria doce e engraçada, como uma pegadinha do Silvio Santos. Pelo menos para mim, seria engraçado.

Mas como seria a vingança?! Hummmmm.... Espalhar/disseminar (risos de cientista louco) de forma benigna o fato ocorrido. E a primeira vítima foi a mãe de criação dele, a dona Maria (uma velhinha simpática como um cachorro PitBull faminto, só que você é um grande e suculento pedaço de bife perto dela). E fiz a narrativa do fato assim que fui na casa dela. A segunda vítima foi a mãe dele, e depois a irmã, e por ai vai. Hoje em dia ele nem se importa mais com isso, todos já sabem do fato mesmo. Kkkkkkk. As vezes ele ainda me pergunta:
- Lembra do dia que eu fugi das sua amigas? - diz sorrindo, pois sabe que vou contar tudo de novo.

Isso foi um fato engraçado que ele hoje toma como exemplo a nunca seguir, e eu tomo como um fato engraçado a ser contado e recontado várias vezes.

Para finalizar nosso história e minha vingança, quando meu amigo Kenay estiver grande, já quase namorando e você tiver cheio de marra (você: quando eu era jovem, as mulheres caiam aos meu pés. Eu era o maioral na escola. Meu amigo Nilson pode contar tudo. Ele me viu sendo o cara.) me aguarde, vou imprimir este conto  e vou dar para ele de presente.

Te adoro, meu amigo, sou seu grande fã.


Um grande abraço, nodes2016.
 
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