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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

UMA PEQUENA CONVERSA

Classificação: Livre.

Foi uma relação bacana, pelo menos para William. Mas como tudo que é bom dura pouco, o amor, ou uma grande parte dele, acabou, e o que sobrou foi apenas raiva; e uma pequena gota do sentimento antigo, que só fazia as coisas ficarem ainda pior.

Danielly o chamou para uma conversa e, desde que ele chegou, estava triste e cabisbaixa. Algo estava errado e ele pressentia que algo. Toda vez que Dan tinha medo de dizer algo, algo que magoasse Wil, ficava desse jeito: abaixava a cabeça e fala olhando pros pés. Talvez fosse certas coisas que a deixavam sem jeito. Um bom exemplo disso foi quando o relacionamento deles começou. Ela o convidou pra ir a casa de uma tia, onde ele devia pedi-la em namoro. Foi a primeira vez que ele notou esse jeito meigo (nesse dia foi muito meigo, o deixou mais apaixonado ainda) nela. Houve outra vezes também, mas esse jeito de hoje foi diferente, e queria dizer outra coisa.

Como ela não falou nada desde que chegaram, ele tomou coragem e disse:
- Por que isso mesmo?

Ela pareceu tremer. Pensava muito no assunto. Era como ter que decidir se desligaria os aparelhos que o mantinham vivo, e talvez fosse isso mesmo.

- Acho que não dá mais. Só isso - disse ela. É, queria mesmo que os aparelhos fossem desligados. Ele devia morrer. Esse decisão pareceu que era mais para desligar os aparelhos que a mantinham viva - e não o contrário. Ela tava sofrendo muito e ele sabia que o motivo era ele. Não sabia exatamente o que fez, mas fez.

Ele ficou olhando para ela por mais alguns minutos, ela ainda olhava os pés, pensando no que deveria dizer.

- Então tudo bem. Depois trago suas coisas. - ele achou uma boa resposta para o diálogo estranho que rolava. Era como dizer a um estranho tudo bem em entrar em sua casa, mesmo achando que era muito inconveniente, sim, a pessoa entrar, mas por pura educação, respondia de forma afirmativa.

Ele nem sabia o que tinha dela em sua casa, talvez um par de brincos ficou na mesa da cozinha, talvez um livro. Não tinha certeza. Era uma pequena desculpa para vê-la outra vez. Mas, mal ele sabia que a odiaria por isso, e que muitas lagrimas de raiva ainda rolariam no seu rosto.

Era um adeus.

- Tá bom. Depois eu pego com você, então - ela disse confirmando o desligamento total dos aparelhos. Virou as costas e foi embora.

Ele nunca teve uma explicação boa para aquilo, para o porquê da separação. E mesmo depois de ter peguntado a ela certo dia, depois da dor ter amenizado um pouco, o motivo, nem ela mesmo soube dizer. Apenas afirmou que eram muito jovens, foi burrice mesmo, só isso.

Mas de certa forma, não sabendo explicar como, uma pequena gota de carinho ficou guardada no fundo do coração dos dois até hoje. Era uma gota bem pequena, mas que, se descer a ladeira das emoções, seria um recomeço (bom ou mau).

Fim da parte dela.




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A versão dele.

Daniele tinha chamado William para uma conversa a dois. E ele sabia que alguma coisa estava errado. Não sabia dizer como ele sabia, mas sabia que algo estava muito errado. Dani ficou ali parada como uma miniestátua, ela era uma mulher pequena, com a cabeça abaixada e as mãos uma em cima da outra, na frente das pernas. O rosto de Dani parecia quase derreter de tristeza.

Ela tinha uns cacoetes que Will adorava, um deles era esse. Quando estava com vergonha, chateada ou tinha feito alguma besteira, não encara a pessoa na sua frente, ficava olhando os pés, como se tivesse se desculpando por algo que faria. Havia outro que ele simplesmente amava, era quando estava apaixonada, isso bem no começo do relacionamento, ela coçava entre as sobrancelhas, como um tipo de alergia provocada pelo nervosismo, ficando uma pequena marca vermelha entre elas. Mas hoje era o primeiro cacoete que ela estava usando, e parecia estar preparada para fazer uma grande besteira.

Will a olhava já fazia algum tempo, mas ela disse nada até aquele momento. Ele acabou dizendo:
- Por que isso mesmo? - ele queria saber. Por algum motivo sabia que era isso que ela esperava. Era como um corredor que aguarda o momento que o juiz dará o tiro para que a corrida comece. Talvez não devesse ter feito a pergunta. Mas como já tinha feito, que rufem os tambores.

- Acho que não dá mais. Só isso - disse ela. Coçou um pouco a mão, tentando dissimular algo. Aparentava muito nervosismo.

De uns tempos para cá, Dani tinha ficando meio estranha. Como um parente próximo que muda para outro estado, e depois de alguns anos volta, mas não parece mais a mesma pessoa; Mas é a mesma pessoa. Era como ela se portava naquele momento.

Mas Will achou, por um breve momento, que tudo aquilo fosse mentira, um brincadeira de mau gosto dela, que acabaria dizendo "sacanagem, porra, eu te amo" e tudo ficaria bem. Mas ele sabia que isso não iria acontecer, ela tinha vindo preparada para um enterro, tinha vindo preparada para o fim dos dois. E ele sabia muito bem disso, só não queria aceitar de forma racional.

Respondeu o mais calmo que pode:
- Então tudo bem. Depois trago suas coisas.


Um último tiro, ele imaginou. Vai que ainda tenho uma vaga chance de... Ele sabia que tudo tinha acabado. Ele sabia que o maior amor de sua vida queria ir embora e que o odiava por alguma coisa que fez. Mas não conseguia lembar. Era como um bêbado que dança a macarena pelado na rua, para todo mundo ver, mas no dia seguinte acorda sem lembar de nada. Foi assim que Will se sentiu.

- Tá bom. Depois eu pego com você, então - disse, se virando e indo embora sem nem olhar nos olhos de Will. Não havia nada a ser pego. Ambos sabiam disso. Mas ale disse da mesma forma, só queria ir embora, só queria ficar longe daquele lugar e de Will.

Will quase fica louco, ele a amava muito. Mas ela foi embora. Tudo bem, Will repetia para si mesmo quando pensava no assunto. A dor o torturou por um bom tempo, mas um dia ela diminuiu e foi embora.

O mais engraçado nisso tudo é que nem Will, nem Dani sabem dizer o motivo de tudo ter acabado assim, sem pé nem cabeça. Mas acabou. Talvez tenha sido melhor assim.

Talvez.


 
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